24 de junho de 2014

PEDAÇO DE FRIO

Inverno
estação é tempo e não tem verbo
                                                             e passa...
Passa em casa, abre o vinho guardado
                                                              ... e ama
Ama  antes que o frio lá de fora congele aqui dentro de mim
e apague o que ainda resta dessa chama!

23 de junho de 2014

ÀS VEZES

Adormece...esquece que você esmorece
quando sofre
recobra o sentido do que é existido
lembra que tens alma mesmo que ela esteja calejada
ainda que ela seja um detalhe que você esquece.
Eu bem me lembro da sua feição marejada
e dos seus olhos chorosos.

Às vezes, há tanto que me lembro
eu recordo que acordo, me acho e me perco
e deixo que o tempo se faça de berço, às vezes eu deixo.
Às vezes eu paro...é às vezes eu boto reparo no que me entristece
e faço reparo no que não está bom.
Às vezes eu só choro e cobro o porquê das lágrimas
converso com esse tal de tempo
eita coisa que enrola o coração alheio
revira e faz a gente virar do avesso
Às vezes eu só paro e...respiro...suspiro...esvazio
me esvazio de alguns sentimentos
me ponho de castigo, busco um colo de acalento.
E não raras vezes...apenas sorrio
um sorriso verdadeiro, polido no que foi morteiro
sorriso que veio lá da tristeza.

Às vezes eu deixo ela no caminho
às vezes ela me encontra
e toma um café comigo
eu abro a porta e digo mesmo
- Tristeza, vá embora!
Mas é coisa teimosa
Às vezes faz birra e não vai
não vai...
Às vezes, eu a entendo
Às vezes, eu a odeio

Às vezes, eu não a vejo em nenhum lugar
e tem tanta graça nesse momento
dá até para gargalhar
marulhar...ir para a chuva se molhar
Às vezes dá para ser feliz
Às vezes a vida deixa
Às vezes...

7 de junho de 2014

Se me furtas, de quem é a culpa?

Ah! Quanto plural no seu abraço
coisa boa nessa andança da vida
faz eu esquecer...do quê mesmo?
e para quê eu quero lembrar
se cada abraço é um pedaço de...sei lá!
É espaço onde cabem o promíscuo e o profícuo.

No reflexo o prospecto da minh´alma
que habita nesse meu ser
ser insana, profana, um ser que ama
quanta coisa!
Atravesso a rua, bebo café andando
...penso em ti...
Olho o relógio
- Tempo, tempo, quem dera eu fosse sua dona!

Quanta curva em um só dia
às vezes todos os dias só levam ao mesmo lugar
poucas curvas diferentes
tantas vidas displicentes
quase tudo a mesma cor.
Para quê saber da culpa?
Se o que importa é que me furtas
o tempo...o tempo...os olhos, as mãos
o pensamento, o tempo...o tempo
e depois o jeito é ajeitar
os minutos que sobram
porque as horas, vixe! Essas já se foram e não voltam mais.

Nesse seu abraço é que deve estar a culpa
Ou está na minha redenção?
Quando deixo que tu fiques e que prenda a minha atenção
tanto tenho no breve enlaço dos seus braços
às vezes afrouxa
às vezes aperta,
é...cada abraço tem seu laço.

Tu é que me furtas ou eu é que cedo?
Cedo caminho pensando em ti e as vezes cedo te faço carinho.
Ah! Se tu soubesses quanto furtas de mim
acharias que teu caso é de prisão sem fim
Essa culpa porque me furtas é minha? Ou sua então?
Seja lá de quem for
- Ora, seu moço, desculpo não!
Não revogo...deixa assim e que me furtes
que há de se fazer?
É só paixão
...e paixão é mesmo assim!