Morreu foi?
Tropeçou,
caiu e morreu.
Não deu tempo de fazer nada, aconteceu de repente.
Não se amue
não, vou contar uma história e você vai entender.
Não sei por
que, a moléstia me pegou uma vez e aquilo doía.
-Mas
moléstia pega mesmo né?
Foram tempos
difíceis, noites de febre, dias em que eu nem vi o sol, não porque eu não saia,
eu é que não reparava mesmo.
E como um
raio, aquela mão que eu tanto precisava se foi para longe e eu só queria que
segurasse a minha.
-Segure aqui
a minha mão, isso vai passar! Isso é pedir demais? Naquela época foi.
E dia após
dia eu me recuperei e me consumi numa raiva por ter ficado só. Ora! Pense numa
raiva viu!
-Onde já se
viu isso? Quando dá a moléstia a gente cuida... A gente cuida...
Depois de
passada a raiva eu fui entender que aprendi uma das maiores lições da vida.
-Não se
desiste de cuidar de quem a gente gosta!
Vou lhe
dizer que é muito fácil quando a outra pessoa está bem, quando tudo está
tranquilo, aí é bonito mesmo perguntar: “tudo bem com você?” “Como você está?”.
Mas quando
se tem a moléstia e não dá para fazer muita coisa você se ajeita ao lado da
pessoa e espera aquilo passar.
O amor é
esse cuidado em qualquer ocasião e às vezes é não poder fazer nada.
Tem sentimento
que é assim: tropeça, cai e morre.
Mas o amor
não aceita isso, ele não vira as costas e não te nega a mão.
Quem ama
cuida mesmo que aquilo lhe custe caro, tome tempo, amofine, canse...
-A moléstia
pega mesmo, mas passa! E é muito melhor esperar ela passar quando alguém lhe
segura a mão.
Que é que
falam do amor por aí? Só ouvi dizer isso mesmo, ou se não ouvi, aprendi com a
moléstia.
-Quem ama cuida!
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